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por miguelcoutinho...enjoy

[..2004/03/09...]

Gosto mesmo dos pequenos fenómenos que se criam à volta de um disco novo. Não daqueles de que lêmos nos jornais ou ouvimos na rádio. Mas aqueles CD's de uma banda completamente desconhecida, de que um amigo nos falou.

trazes-me amanhã?

e depois compro e passo a palavra a alguém que sei que também vai gostar, e este a outro, e depois a outro. E vai-se criando uma rede de acesso limitado a que só nós pertencemos, porque pensamos que fomos os únicos a ouvi-lo. Como se fosse nosso.

E fico sempre com um desconforto, com um sentimento de perda, quando me apercebo que esse disco já ultrapassou essa rede, que já fugiu ao nosso suposto controlo: quando toda a gente já canta o refrão, ou quando aparece num anúncio, ou quando dá o clip na televisão.

oh, eu já conhecia isto há muito tempo!...

dizemos, de orgulho ferido. É estúpido pensar num CD de que existem milhões de cópias como algo de exclusivo. Eu sei disso. Mas a sociedade ocidental manifesta-se precisamente neste paradoxo: fornece uma individualidade que é comum a todos nós.

 

 

 

 

[..2004/03/05...]

Está chover. Está frio.

É nestas alturas que a memória nunca nos atraiçoa: o Verão reaparece sempre para nos deprimir ainda mais. O que vale é que também serve para acalentar a esperança de que daqui a uns meses tudo vai ficar melhor.

 

 

[..2004/02/27...]

Vi agora no Aviz que a discussão sobre o filme de Mel Gibson atravessa a blogosfera portuguesa. É só para registar a coincidência, achei curioso. Se quiserem "ouvir" mais opiniões, vão .

 

 

 

[..2004/02/26...]

 

A polémica que o filme do Mel Gibson, "A Paixão de Jesus Cristo", está a causar nos Estados Unidos é mais um sinal do moralismo hipócrita e podre tão tipicamente americano, que também o célebre episódio da mama da Janet Jackson no intervalo do Super Bowl demonstra tão bem.

Para quem não sabe, o filme retrata as últimas doze horas da vida de Jesus. Segundo o lobby judeu norte-americano, o filme provoca o anti-semitismo porque responsabiliza directamente os judeus pela morte Jesus.

Não vejo onde está a novidade. Desde sempre, é essa a versão oficial do que aconteceu e que todos conhecem. Senão vejamos:

Evangelho de São João 18,38-40:"Dito isto, [Pilatos] foi ter de novo com os judeus e disse-lhes:'Não vejo nele [Jesus] nenhum crime. Mas é costume eu libertar-vos um preso na Páscoa. Quereis que vos solte o rei dos judeus [que era como Jesus era conhecido]?' Eles puseram-se de novo a gritar, dizendo:'Esse não, mas sim Barrabás!'. Ora Barrabás era um salteador."

Também no evangelho de São João 19,6-7, que aliás é semelhante aos restantes (S. Lucas, S. Mateus e S. Marcos):"Assim que o viram, os sumos sacerdotes [judeus] e os seus servidores gritaram: 'Crucifica-o! Crucifica-o!' Disse-lhes Pilatos:'Levai-o vós e crucificai-o. Eu não descubro nele nenhum crime'. Os judeus replicaram-lhe:'Nós temos uma Lei e, segundo essa Lei, deve morrer, porque disse ser Filho de Deus'".

É claro que Pilatos e Herodes lavaram as mãos de qualquer responsabilidade deste problema que, mais do que religioso, era político, por força do poder que Jesus granjeou entre o povo. Mas isso só reforça que, na versão oficial conhecida, a da Bíblia, são os judeus que escolhem crucificar Jesus (mal ou bem, não é o que se discute aqui). É aliás isso que está na base do sentimento anti-semita que grassou na Europa cristã, desde sempre. Num post no LJCC já tinha escrito há uns tempos que "Jesus era um homem diferente dos outros do seu tempo não pelas suas faculdades divinas, mas sim - e isto está escrito na Bíblia, é essa a interpretação que faço e é isto que já comprovaram vários estudos- porque ousou desafiar os doutos da lei religiosa vigente. Foi um líder que teve a coragem de pregar uma nova doutrina que, aliás, era também defendida por João Baptista. E ambos pagaram isso com a sua vida."

Não percebo toda esta celeuma agora. Ainda não vi o filme, nem faço ideia de que maneira é que Mel Gibson escolheu dar ênfase à reunião dos judeus em que se escolheu libertar Barrabás e crucificar Jesus. Mas é claro que toda esta onda de protestos não é nada mais do que uma tentativa de vitimização e de revisionismo histórico, explorando a sensiblidade fácil e hipócrita do público americano. Como se um filme fosse capaz de ser mais forte do que o que está escrito na Bíblia.

Se o lobby judeu pretende fazer frente ao anti-semitismo, que como é óbvio repudio, assim como repudio todas as formas de xenofobia, não deve escolher o caminho da demagogia e do populismo fácil. Apresentem estudos, fundamentem argumentos, contribuam para a formação das pessoas, mas não responsabilizem um filme que, pelo que li, retrata (com recurso a uma violência demasiado gráfica, é certo) o que está escrito nos Evangelhos.

Quanto mais protestam, pior estão a servir os seus intentos e cada vez mais pessoas o vão querer ver. Porque parece-me este filme, dentro da sua própria lógica comercial e dentro da especificidade inerente a um filme de Hollywood, não pretende mais do que escandalizar -através da violenta exploração de um tema polémico e sensível- para vender.

No que toca à exploração da moral de ocasião americana, são culpados os dois lados: Mel Gibson e os líderes judeus norte-americanos.

 

 

[..2004/02/23...]

Carnaval 2004...

 

 

 

 

 

[..2004/02/14...]

Uma torrada e uma coca-cola. É o meu lanche favorito. A Rita diz que é esquisito e lembra-se da primeira vez que partilhámos um lanche, naquela tarde, quando eu pedi confiante

uma torrada e uma coca-cola, por favor.

Eu só me lembro dela.

E vou lembrar-me de ir lanchar contigo, da maneira como é um pretexto para estarmos juntos, da maneira como me observas enquanto como, do nada de que falamos para manter a conversa. Vou lembrar-me sempre das discussões para saber quem paga, de estar sempre a tentar adivinhar o que estás pensar enquanto mastigas, de olhar para ti a olhar para mim.

E vou lembrar-me sempre de todos os lanches, na certeza de saber que é com momentos como estes que se constroi uma intimidade.

 

 

 

 

[..2004/02/07...]

 

Da próxima vez que falares comigo, prometes que me dizes alguma coisa?

 

 

[..2004/02/05...]

O nosso país de facto consegue ser mesmo ridículo. Veja-se a importância que se dá ao futebol. É verdade que o futebol está incorporado na nossa maneira de viver, está enraizado na nossa cultura e é uma parte fundamental na maneira como projectamos Portugal no mundo.

Mas não consigo perceber a tamanha importância que se dá aos treinos, às declarações dos jogadores, àquele futebolista que está lesionado, ao roupeiro do clube, à rede da baliza, ao estado do relvado, aos pitons das chuteiras. Todos os dias, os telejrnais reservam pelo menos um terço do seu tempo a estas trivialidades, mesmo que nada de novo haja a dizer. Antes de um derby então é a loucura. Em cada dia que antecede o jogo, há directos, comentários, preconizam-se resultados, lembram-se os jogos passados, há o clássico de pegar em dois jogadores que já ninguém conhece, ou que já ninguém quer saber quem são, e só porque há 300 anos atrás jogaram nos clubes em confronto, pensa-se que poderá interessar a alguém qual o resultado final que eles acham que vai acontecer. Em horário nobre, no serviço público. Além de demonstrarem uma notável falta de imaginação, os responsáveis pelos telejornais da RTP contribuem para que se perpetue esta dependência quase demencial do futebol. Os outros canais não me interessam. Esses só querem vender e não têm que ter uma responsabilidade directa na (boa)formação dos públicos.

Não me interpretem mal. Eu adoro futebol. Vejo muitos jogos e sempre que posso e me apetece vou ao estádio. Mas o futebol mesmo, o jogo, aquilo a que vulgarmente se chama o espectáculo "dentro das quatro linhas"(!).

Mas reparem nos dirigentes do futebol e naqueles que lhes dão importância. A que propósito é que um dirigente de um clube tem direito a invadir a minha televisão, no serviço público, a despejar as alarvidades e barbaridades do costume? Mas quem é que quer saber se o sistema isto e o outro clube aquilo, e a Liga disse que sim mas a mim não me apetece, e não queremos alimentar polémicas e eles são uns gatunos, e gosto daquele mas não gosto do outro, e ontem disse que sim mas hoje já digo que não, e doi-me um dente e ontem esqueci-me de fazer a barba.

São os responsáveis pelas redacções que têm a responsabilidade de os terem tornado tão importantes, de uma maneira tal que é muito difícil viver sem eles na nossa vida pública. Sem eles e sem o circo absurdo do costume em volta de uma coisa tão simples como um jogo de futebol.

Desliguem-lhes a ficha por favor, que o mesmo é dizer, não lhes ponham os microfones à frente. Porque senão correm o risco de se tornar tão ridículos quanto eles.

 

 

 

[..2004/01/31...]

Amanhã faço anos. 25. Um quarto de século. A minha vida não está nada como eu a imaginei quando saí do liceu (ou do secundário).

Tudo mudou uma vez, e outra, e ainda outra vez, num processo que parece nunca acabar. Será que é isto mesmo a vida nos oferece? A oportunidade de podermos transformar tantas vezes quantas quisermos a maneira como decidimos vivê-la, apesar do tempo limitado? Ou obriga-nos a seguir os ditames da sorte, retirando alternativas, forçando decisões?

Não sei, ainda não consegui definir se sou eu que controlo a minha vida ou se vou apenas seguindo os caminhos que me são apontados.

Decididamente, a minha vida não está como eu a imaginei.

 

 

Ainda bem.

 

 

 

[..2004/01/13...]

TINTA INVISÍVEL

Às vezes é melhor não olhar para trás, é melhor esquecer tudo aquilo que se diz e que se escreve.

Mesmo aquilo que se acaba de escrever.

Esquecer sim. Mas apagar não.

 

 

Pode um dia ser preciso...

 

 

 

[..2004/01/04...]

Praga,

Byebye 2003, hello 2004!

Ficam aqui as primeiras fotografias. Depois mostro mais!

 

 

 

 

 

[..2003/12/23..]

Pessoal,

Bom Natal e Feliz Ano Novo!!!

Vêmo-nos em 2004!!!!!!!

[..2003/12/18..]

Já deixei de ser quem sou. Estou mais velho. E isso é tanto mais verdade quantas mais as coisas que já não gosto de fazer.

 

 

[..2003/12/14..]

 

 

 

[..2003/12/14..]

-What are you saying?
-I'm not saying anything!
-You're saying something...
-What could I be saying?
-Well you're not saying nothing, so you must be saying something!
-If I was saying something, I would have said it!
-So why don't you say it?
-I said it!
-What are you saying?
-Nothing!

in SEINFELD

 

[..2003/12/09..]

Nunca digas o que sentes. É melhor sentir aquilo que se diz.

 

[..2003/12/03..]

A propósito do post do Apatia, acabei por me lembrar de uma frase que eu acho que se pode aplicar a Portugal e aos portugueses:

Portugal é um país que presume as vitórias e que não assume as derrotas.

O povo português é apático, amorfo, sem personalidade, sem vontade de ser melhor, sem sentido de iniciativa. Desde que haja futebol e malucos do riso na televisão, podemos estar descansados: nada vai mudar. Aliás nem vale a pena, até porque o aquele subsídio deve estar por aí chegar, o presidente da câmara vai construir mais uma rotunda e o café central afinal não vai fechar.

Todo o Portugal se queixa, mas ninguém se mexe. Tudo se irá resolver, mais tarde ou mais cedo, não vale a pena um gajo chatear-se. Já está garantido.

Mas depois, se a coisa não corre bem é um tal fugir com o rabo à seringa. Ninguém tem verdadeiramente culpa: é o sistema, é a lei que está mal feita, é um erro que ninguém sabe quem cometeu,é o Governo, é a UEFA, são os poderosos.

E o portuga, sempre tão inocente e tão desgraçado, vai apontando o dedo, acusando todos menos ele próprio.

 

 

[..2003/11/24..]

 

Ao andar pela rua, aqui há uns tempos, encontrei isto numa montra. Alguém se lembra?

 

[..2003/11/24..]

Estou agora a ver, no Herman SIC, uma actuação de um travesti. Acompanhado por duas bailarinas, lá vai fazendo um playback de uma música qualquer da Celine Dion.

Que coisa tão ridícula. Não o travesti em si mesmo, mas o espectáculo pobre que já é costume ver nestas actuações. Não percebo o que é que de tão interessante existe numa imitação medríocre, onde nem o próprio playback é bem feito.

Não é preconceito, aliás, muito pelo contrário. O facto de estar a criticar estas actuações prova exactamente que não sou preconceituoso. Diria exactamente o mesmo se um dia ligasse a televisão e visse, por exemplo, o Sérgio Godinho a fazer um playback do Quim Barreiros, com bigodinho e tudo, e a querer ser levado a sério.

Quem, por opção própria, escolheu entrar no mundo do espectáculo -seja ele de que tipo for- e, por isso, passou a fazer parte da esfera pública, está sujeito a crítica, quer seja um travesti, o Rei da Pop ou o vocalista da banda de casamentos lá da terra. No que concerne à crítica, todos são iguais, no sucesso ou no desaire.

Mas estar aqui a dizer mal destas performances fraquinhas é um risco porque fere o que é politicamente correcto, que é uma forma perversa que o preconceito pode assumir. Neste caso, como noutros, o politicamente correcto esconde a condescendência. E a condescedência implica um sentimento de superioridade sobre alguém a quem é reconhecida uma inferioridade natural e, por isso, é uma pessoa a quem é necessário desculpar, dar um desconto ou fazer cedências para facilitar.

É a maneira que a nossa sociedade tem para lidar com aquilo que não aceita verdadeiramente, mas que reconhece existir e finge aceitar. Sem nunca o pôr no mesmo plano.

Portanto, pondo todos em pé de igualdade, não gosto dos travestis a fazer estes espectáculos parolos. Pronto, já disse.

 

[..2003/11/20..]

Sei que um dia vais deixar de ser aquilo que penso que sejas, mesmo que me digas que nunca vais deixar de ser aquilo que és.

Não faz mal.

Prefiro o presente, que é aquilo que eu sei que está a acontecer.

 

 

[..2003/11/19..]

Fui hoje ver o Matrix Revolutions. Mau, muito mau. Muito mau mesmo.

Não fiquei surpreendido, já tinha visto o segundo.

 

[..2003/11/10..]

Reparei agora que já não escrevia nada há muito tempo. Não tenho nenhuma explicação racional para isso. Será talvez porque não sinto uma obrigação em escrever. Deve haver pessoas, de outros blogs, que se sentem na obrigação de escrever todos os dias, de mostrar coisas, de actualizar sempre.

Não tenho nada contra, evidentemente. Mas eu não tenho essa relação visceral com o meu blog. Raramente pesquiso coisas para pôr aqui, raramente ponho links e quase nunca me refiro a outros. Para dizer a verdade, eu, à excepção de alguns de pessoas que conheço e dos clássicos, nem sou leitor assíduo de blogs(blasfémia!!!). Perco logo a paciência.

Porque é que então mantenho o meu, pode o caro leitor perguntar? Porque gosto deste exercício um pouco exibicionista.

Gosto de colocar posts e depois andar curioso para ver se alguém os comenta, se alguém concorda ou discorda, se alguém fala deles. Gosto daqueles segundos em que me lembro de qualquer coisa para escrever aqui e depois achar que é estúpido mas mesmo assim "postar".

Gosto de ligar o computador e começar a escrever aqui onde estou a escrever agora sobre o facto de já não escrever aqui há muito tempo.

É uma projecção daquilo que eu quero que os outros saibam sobre mim... não acredito que isto de blogar seja um exercício de completa transparência. E não sou de certeza o único.

 

[..2003/11/06..]

SONDAGEM

Preciso de uma opinião.

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